sobre o projeto

vidas em obras

Traçar um painel dos moradores do bairro da Luz, região da Cracolândia. Quem são eles, da onde vieram, o que fazem , como vivem?. Utilizando um ateliê móvel, montamos nosso estúdio nas ruas do bairro, diferentes pontos a cada semana. Ao longo do trabalho, murais serão produzidos com fotos, poesia, grafite, stencil, lambe-lambe, textos memoriais e microrroteiros dos moradores, com suas histórias de vida. Junto a eles, uma sinalização que anuncia ao transeunte desavisado: “Atenção! Pessoas morando”. Os personagens retratados no projeto receberão uma foto montada e um microrroteiro em papel A4.

Linguagens:

Fotografia, poesia, lambe-lambe, grafite, literatura, web design e musica.

Núcleos artísticos:

Casadalapa, Microrroteiros da Cidade, Coletivo Transverso, Perda Total e Paulestinos.

Meios de produção:

Ateliê móvel, intervenções urbanas e plataforma virtual

Regiões atendidas:

Plataforma 1: São Paulo – capital : muros do bairro da luz e arredores.

Plataforma 2: Instalação Itinerante “vidas em obras” em praças e espaços públicos da cidade de São Paulo .

Plataforma 3: Plataforma virtual, um blog imagético e poético mostrando o processo e os resultados do projeto.

objetivos

Através da somatória de múltiplas linguagens de intervenções urbanas e baseado nos dez meses da residência artística Casa Rodante, que os artistas envolvidos neste projeto visam dar continuidade e aprofundar as ações do território no bairro da luz, nesta região denominada pela mídia de “Cracolândia”.

Os moradores que circundam este território em disputa não só pela forte cena de uso de drogas e o aparato de serviços públicos, seja de saúde ou policial e também pela disputa territorial e a expansão imobiliária do bairro. Tais moradores tornam-se invisíveis perante o fenômeno Cracolândia, são higienizados nesta epígrafe de ser residente da Cracolândia.

Este conjunto de atividades e intervenções propostas vem de encontro a necessidade dos ocupantes desse território de emergir e potencializar a sua existência humana e cidadã. Fazer junto com a população criando o senso comunitário e de pertencimento, com a atuação direta na rua.

A transparência das ações são motivadoras para a população apropriar-se e co-responsabilizar-se com o seu território. E, através, desta mescla de diferentes artistas participantes, levamos na prática o desenvolvimento do fazer coletivo.

porquê na luz?

Encravada no centro de São Paulo e cercada por amplo aparato policial, encontra-se a região conhecida nacionalmente como “Cracolândia”. Cunhado e batido pela mídia, o termo caiu no gosto dos usuários – os chamados “nóias” – e hoje faz parte de uma identidade espacial-existencial do lugar. Este não é o caso, porém, de outros atores sociais do território, que ainda referem-se ao bairro como Luz ou Campos Elíseos. Sentindo-se abandonados pelo poder público e sem vínculo direto com o consumo ou o comércio de drogas, famílias inteiras sobrevivem numa espécie de limbo, expostas à miséria, à violência e ao tráfico – fora do escopo das ações de redução de danos – virtualmente invisíveis à sociedade. São moradores, comerciantes, pensionistas, transeuntes, trabalhadores, usuários, policiais (militares, civis e da guarda municipal), jornalistas, estudantes, missionários, ONGS, artistas, ativistas sociais, traficantes, imigrantes, agentes sociais e de saúde, construtoras, imobiliárias, investidores internacionais e outros – todos, enredados em tensa e precária trama.

Foi nesse território complexo e repleto de conflitos que a casadalapa lançou o projeto Casa Rodante. Uma casa com formato lúdico, construída sobre uma velha caminhonete, funcionava como disparador de convívio e vizinhança político-cultural com os habitantes e passantes da região. Por dez meses, as várias calçadas do bairro se tornaram nossa sala de estar. Um espaço afetivo, aberto, capaz de mediar conflitos, onde não faltavam, nem mesmo, água, café, livros, boas conversas, e onde ações diretas de intervenções artísticas e sociais davam forma à convivência diária com a comunidade. Foi através desse convívio e à partir da experiência com a Casa Rodante que surgiu o projeto VIDAS EM OBRAS.

o processo

27389405236_b425db153b_o.jpgCasa Rodante: O ateliê móvel é o disparador de múltiplos processos artísticos envolvidos. É a partir dele que que toda ação se desenvolve, seja durante a execução de trabalhos específicos, quanto da montagem dos murais coletivos.

27147754120_39b2d400dc_o.jpgFotógrafo de bairro: O fotógrafo Zeca Caldeira monta seu estúdio fotográfico em plena calçada de um ponto qualquer do bairro. Os passantes são convidados a serem retratados. Os participantes receberão depois uma ampliação montada de presente.

26816719603_037c8568d0_o.jpgMicrorroteiros da Cidade: a artista Laura Guimarães capta histórias dos passantes, e junto com o próprio entrevistado, reduz essa história até 140 caracteres. Esse microrroteiro será transformado em lambe-lambe e colado junto ao mural.

27389487926_ccdc718db8_o.jpgPaulestinos: os artistas Atila Fragoso e Renoir Santos, os Paulestinos, nordestinos-paulistanos, usam a street art para questionar as realidades distintas, utilizando a técnica do lambe-lambe. Eles elegem personagens da cultura brasileira a serem ícones da cultura pop, como estes fossem alçados a super-herois brasileiros.

27423660385_b1fc56631a_o.jpgColetivo Transverso: O artista Cauê Augusto realiza intervenções poéticas no espaço público a partir da criação literária e do desenvolvimento de técnicas como stencil, lambe-lambe, projeção e performance.

27423531195_62623ce5d3_o.jpgJúlio Dojcsar: coordenador do projeto, tem na articulação com a população local o desenvolvimento das intervenções propostas no projeto, formando uma única rede presencial entre artistas e residentes do território.

27325177132_abf9a78098_o.jpgEssa plataforma virtual  será construída dia a dia, semana a semana, através de posts memoriais, com textos mais poéticos, fotografias e ilustrações, com visões pessoais do processo do trabalho, reconhecimento dos personagens, conversas infiltradas, conclusões e não-conclusões, percepção jornalística e imaterial, achados e perdidos, erros e acertos. Funcionará como um provocador do projeto. Uma sombra que será personagem oculto de todo o processo. Este processo será alimentado pelo artista e jornalista Sato do Brasil.

P1220116.jpgColaborando na criação desta plataforma virtual através de conexões virtuais, fotografias P&B e vídeos com uma visão pessoal do processo e do registro documentário da trajetória de VIDAS EM OBRAS, o artista visual e cineasta César Meneghetti.

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Silvana Marcondes artista, diretora teatral e figurinista realiza intervenções relacionadas à pessoa, ao morador do bairro mas observado no contexto humano, inclusivo, além de  coordenar  a produção do projeto.

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Marcos e Marina ativistas ecológicos realizam um trabalho de resistência verde, fazendo parte da re-urbanização sustentável no coração da Cracolândia.

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